O grande desafio da Gestão do Futebol Brasileiro para 2017

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Estamos totalmente acostumados em ver notícias negativas sobre custos e receitas de clubes brasileiros desde 2010, um cenário que piorava ano a ano, que teve seu ponto critico em 2014. Sabemos que ainda os clubes brasileiros precisam melhorar e muito sua gestão financeira e administrativa, mas durante o ano de 2015 se movimentaram e começaram um plano de reorganização, com gestão e organização trouxeram mais Receitas, diminuíram Custos e pulverizaram os Investimentos, que em termos reais significa redução de cerca de 10%, apontando para um sinal de racionalização do uso dos recursos dos Clubes.

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Passamos anos reclamando que o futebol brasileiro era composto por “amadores” que não sabiam nem o que significava EBITDA, custos e despesas gigantes, sem novas praticas para garantir uma grande receita e investimento para o clube. Mas o cenário é totalmente inverso, observamos nos resultados uma grande mudança de gestão dos clubes, com grande corte de despesas e contratações de atletas, valorização da categoria de base, novos meios de distribuir a receita do clube com Sócio Torcedor e Patrocínios.

O grande desafio desses novos gestores do futebol brasileiro e mundial, está em como garantir receita no futuro digital, afinal a maioria dos clubes dependem em mais de 40% de toda sua receita pelos Direitos de TV. Imagine se essa receita não for mais garantida ao clube, ou se cada vez mais ela se concentrar em 3 ou 4 clubes como na Espanha?

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Em uma era Digital de transmissões pelas redes sociais como Facebook e Youtube, com comportamento cada vez mais mudando para o consumo dessas mídias, qual será o foco de inovação das TVs e futuramente dos clubes de futebol para explorar essa Receita?

Claro que podemos notar que a segunda maior receita e a que mais cresce é a dos Sócios Torcedores e Bilheteria, seguido de Publicidade e Patrocínio, que podem futuramente representar mais de 60% de toda receita do clube, tirando o peso dos direitos de TV.

Oportunidades para explorar essas modalidades de receita são gigantescas, principalmente a de Publicidade e Patrocínio que estão sendo “amadurecidas”, os clubes estão descobrindo o mundo digital, explorando suas mídias sociais, ações de marketing digital, e-sports, vendas de produtos online com e-commerce. Receitas que irão forçar a criação de uma nova modalidade focada em Digital, para então, mensurar o verdadeiro crescimento desta modalidade, mesma prática dos clubes Europeus.

Outro fator muito preocupante para os clubes brasileiros é a relação dos custos com a receita que trazem a contratação de atletas “consagrados”, normalmente equilibrados com a revelação de novos talentos. Infelizmente essa prática é apoiada pelo investimento em estrutura pelo clube, como a grande referencia do momento que é o São Paulo FC, que investe muito na revelação de novos talentos, isso reflete diretamente na receita do clube.

A modalidade de Sócio Torcedor cresceu 7%, graças ao trabalho recorrente dos clubes para aumentar sua base, principalmente do Palmeiras que fez um grande trabalho a longo prazo, resultado de estádio lotado, com a melhor receita de media público no Brasileirão 2016.

Isso não significa que os clubes brasileiros estão explorando bem a conversão de receita para outras modalidades como:
– Converter sócios torcedores para promoções e descontos para patrocinadores do clube.
– Converter em vendas de produtos oficiais do clube.
– Converter para ações de patrocínios pontuais e locais para gerar vendas ao parceiro.
– Auxiliar e aumentar a exposição da marca do patrocinador com objetivo de Brand Awareness.
– Gerar conteúdo de qualidade (Brand Content) para engajar e converter em venda de ingressos e produtos.

Todos pontos relevantes que podem ser explorado com objetivo de aumentar a receita, dentro da modalidade Sócio Torcedor.

Quando falamos de patrocínio observamos o crescimento de 3% em receita, graças ao crescimento da cobertura da mídia, que aumenta a exposição do clube, mas isso não foi o suficiente para o crescimento, afinal as empresas estão se preparando para receber mais do que a exposição de sua marca na camisa, estão explorando cada vez mais ações de live marketing, promoções, ações de ativação com cliente e mídias sociais. Com todas essas novas possibilidades de ativação, o resultado dos patrocinadores aumentam significativamente.

O futebol brasileiro demonstra que sim, tem a possibilidade de se valorizar e ser um mercado lucrativo para investidores, isso não irá acontecer do dia para noite, afinal, existem alguns fatores financeiros que precisam ser melhorados, como exemplo o Fluxo de Caixa, problema que não é exclusivo dos clubes de futebol, mas de muitas outras empresas.

Todo esse cenário é apresentado a seguir pela Analise Econômica e Financeira dos Clubes Brasileiros no ano completo de 2015, feita pelo Itaú BBA.

Veja abaixo a análise completa:

 


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